Os freis Modesto, Serafim, Boaventura e Sigismundo. Não encontramos registro do Frei Júlio Sesso.
Diversos historiadores relatam a presença de missionários da Ordem Franciscana dos Capuchinhos na região despovoada do Estado de São Paulo, no final do século XIX e início do XX. O grupo atuava no Brasil desde o período colonial e instalou-se nas novas regiões para acompanhar a expansão dos negócios e a fundação de cidades na direção do extremo Oeste. Em 1912, atraídos pelo movimento da construção da Estrada Boiadeira e provavelmente pela ação agressiva do Coronel Sanches de Figueiredo, tentaram organizar um aldeiamento de índios no Porto Tibiriçá. Dentre eles , Frei Serafim tornou-se o mais lembrado, exatamente pela sua condição racial e seu desaparecimento nas perigosas águas do rio Paraná.
Frei Serafim de Piracicaba
* Piracicaba-SP, 1º.05.1877 - + Três Lagoas-MT, 02.12.1914
Frei Serafim (Pedro de Oliveira Filho), filho de Pedro e Maria Teresa de Oliveira, Frei Serafim nasceu em Piracicaba a 1º de maio de 1877. Seu pai era piracicabano e sua mãe de Capivari. Residiam no bairro Pau Queimado. Frei Serafim foi um dos primeiros seminaristas capuchinhos paulistas que inauguraram o Colégio Seráfico de Taubaté em 1896 e era negro.
Com seus colegas Frei Domingos de Riese, Leonardo de Campinas, Fidélis de Primiero e Lourenço de Piracicaba, recebeu o hábito das mãos de Frei Luís de São Tiago, em Taubaté, aos 4 de fevereiro de 1900. Era o decano da turma. Fez profissão simples a 5 de fevereiro de 1901; solene, a 6 de fevereiro de 1904. Foi ordenado sacerdote juntamente com Frei Domingos, a 31 de dezembro de 1905, na igreja do Largo São Francisco, por Dom José Camargo de Barros. No dia 6 de janeiro de 1906, Frei Serafim cantava sua primeira missa solene em Piracicaba, no Convento S. C. de Jesus. Grande foi a solenidade nessa festa do novo e primeiro sacerdote capuchinho paulista e piracicabano. À refeição, tomaram parte seus pais.
Conforme relatam seus colegas Frei Fidélis e Frei Modesto na citada obra “Os missionários Capuchinhos no Brasil”, Frei Serafim “a todos precedia com o exemplo e a prontidão na observância do Regulamento... Nunca soube o que era ou em que consiste perder tempo, tal era a solicitude com que se aplicava a seus estudos e mesmo aos misteres compatíveis som a sua missão de estudante. Teve sempre rasgos de caridade para com seus colegas, em cujos olhos não podia ver brilhar uma lágrima. Bastas vezes preferiu ser humilhado a ver mortificado um dos seus companheiros de turma”... (pp. 555 - 557).
Em novembro de l914, Frei Serafim parte para a Missão à beira do Ribeirão das Marrecas, em auxílio a seu colega Frei Modesto e a Frei Júlio Sesso. Semanas antes, os frades haviam contratado, no Porto Tibiriçá, alguns trabalhadores para ajudarem no plantio de arroz. Tendo um desses lavradores fraturado uma perna com a queda de uma árvore, Frei Serafim prontificou-se a levá-lo em barco, até Três Lagoas. Com outros lavradores tomou o barco e, a algumas léguas da Missão, teria caído do barco, e dando um grito foi levado pela correnteza. A realidade é que desapareceu e não o viram mais. Foi no dia 2 de dezembro de 1914.
Queremos consignar aqui o relato feito em ANAIS FRANCISCANOS em seu número de Janeiro de 1915, às pp. 31 e 32. Entre outras, diz:
* Piracicaba-SP, 1º.05.1877 - + Três Lagoas-MT, 02.12.1914
Frei Serafim (Pedro de Oliveira Filho), filho de Pedro e Maria Teresa de Oliveira, Frei Serafim nasceu em Piracicaba a 1º de maio de 1877. Seu pai era piracicabano e sua mãe de Capivari. Residiam no bairro Pau Queimado. Frei Serafim foi um dos primeiros seminaristas capuchinhos paulistas que inauguraram o Colégio Seráfico de Taubaté em 1896 e era negro.
Com seus colegas Frei Domingos de Riese, Leonardo de Campinas, Fidélis de Primiero e Lourenço de Piracicaba, recebeu o hábito das mãos de Frei Luís de São Tiago, em Taubaté, aos 4 de fevereiro de 1900. Era o decano da turma. Fez profissão simples a 5 de fevereiro de 1901; solene, a 6 de fevereiro de 1904. Foi ordenado sacerdote juntamente com Frei Domingos, a 31 de dezembro de 1905, na igreja do Largo São Francisco, por Dom José Camargo de Barros. No dia 6 de janeiro de 1906, Frei Serafim cantava sua primeira missa solene em Piracicaba, no Convento S. C. de Jesus. Grande foi a solenidade nessa festa do novo e primeiro sacerdote capuchinho paulista e piracicabano. À refeição, tomaram parte seus pais.
Conforme relatam seus colegas Frei Fidélis e Frei Modesto na citada obra “Os missionários Capuchinhos no Brasil”, Frei Serafim “a todos precedia com o exemplo e a prontidão na observância do Regulamento... Nunca soube o que era ou em que consiste perder tempo, tal era a solicitude com que se aplicava a seus estudos e mesmo aos misteres compatíveis som a sua missão de estudante. Teve sempre rasgos de caridade para com seus colegas, em cujos olhos não podia ver brilhar uma lágrima. Bastas vezes preferiu ser humilhado a ver mortificado um dos seus companheiros de turma”... (pp. 555 - 557).
Em novembro de l914, Frei Serafim parte para a Missão à beira do Ribeirão das Marrecas, em auxílio a seu colega Frei Modesto e a Frei Júlio Sesso. Semanas antes, os frades haviam contratado, no Porto Tibiriçá, alguns trabalhadores para ajudarem no plantio de arroz. Tendo um desses lavradores fraturado uma perna com a queda de uma árvore, Frei Serafim prontificou-se a levá-lo em barco, até Três Lagoas. Com outros lavradores tomou o barco e, a algumas léguas da Missão, teria caído do barco, e dando um grito foi levado pela correnteza. A realidade é que desapareceu e não o viram mais. Foi no dia 2 de dezembro de 1914.
Queremos consignar aqui o relato feito em ANAIS FRANCISCANOS em seu número de Janeiro de 1915, às pp. 31 e 32. Entre outras, diz:
“Anoitecia, e um vento galhardo com chuva tornava dificílima a navegação. No máximo dos esforços para fugir do grande rebojo que naquele lugar formam as águas do rio Paraná, o leme impulsionado violentamente por uma onda fez perder o equilíbrio ao pobre Padre caindo no rio de cabeça a baixo. Depois de poucos minutos de imersão tornou a reaparecer nadando habilmente e pediu socorro; mas daí a poucos instantes desaparecia novamente com um grito desesperado, antes que seus companheiros pudessem acudir.
“O modo violento com que desapareceu a segunda vez faz pensar que tenha sido agredido por um Jaú porque não apareceu mais nem vivo nem morto. O desastre deu-se no dia 2 de dezembro às 7 horas e meia da noite...
“Religioso de comportamento ótimo, zelosíssimo da regular observância, cheio de amor a Deus e ao próximo, Conforme relata o cronista Frei Ricardo de Denno em sua ia Citada obra manuscrita, a viagem prosseguiu bem durante 48 horas. Mas, ao se aproximarem de Jupiá, deu-se o infausto acontecimento, já à boca da noite “...
(“História da Missão dos Capuchinhos”...manuscrito, fls. 111v).
Assim ficou registrado, por escrito, o fim de nosso coirmão entre nós.
Outra versão oral, porém, diz que Frei Serafim teria deixado o barco e os companheiros, adentrando-se pelo Mato Grosso a fora. E até teria depois devolvido o hábito e por lá teria se casado, tendo filhos e filhas.
Ao que consta oralmente, alguém que poderia confirmar ou negar tal versão não a negou nem confirmou... o que pesa favoravelmente em relação à mesma, pois nada custaria negá-la.
Por outro lado, sabemos que Frei Serafim teve grandes desgostos em seu ministério devido ao preconceito que sempre existe, independentemente de tempos e lugares. Como negro, nem sempre era aceito normalmente em certos meios. Isso terá pesado em sua decisão, caso esta tenha sido de fato acontecido.
O certo é que desde aquela data de seu desaparecimento, oficialmente sempre foi considerado morto, recebendo rigorosamente os sufrágios de Missas e de Orações que lhe eram devidos por leis.
“O modo violento com que desapareceu a segunda vez faz pensar que tenha sido agredido por um Jaú porque não apareceu mais nem vivo nem morto. O desastre deu-se no dia 2 de dezembro às 7 horas e meia da noite...
“Religioso de comportamento ótimo, zelosíssimo da regular observância, cheio de amor a Deus e ao próximo, Conforme relata o cronista Frei Ricardo de Denno em sua ia Citada obra manuscrita, a viagem prosseguiu bem durante 48 horas. Mas, ao se aproximarem de Jupiá, deu-se o infausto acontecimento, já à boca da noite “...
(“História da Missão dos Capuchinhos”...manuscrito, fls. 111v).
Assim ficou registrado, por escrito, o fim de nosso coirmão entre nós.
Outra versão oral, porém, diz que Frei Serafim teria deixado o barco e os companheiros, adentrando-se pelo Mato Grosso a fora. E até teria depois devolvido o hábito e por lá teria se casado, tendo filhos e filhas.
Ao que consta oralmente, alguém que poderia confirmar ou negar tal versão não a negou nem confirmou... o que pesa favoravelmente em relação à mesma, pois nada custaria negá-la.
Por outro lado, sabemos que Frei Serafim teve grandes desgostos em seu ministério devido ao preconceito que sempre existe, independentemente de tempos e lugares. Como negro, nem sempre era aceito normalmente em certos meios. Isso terá pesado em sua decisão, caso esta tenha sido de fato acontecido.
O certo é que desde aquela data de seu desaparecimento, oficialmente sempre foi considerado morto, recebendo rigorosamente os sufrágios de Missas e de Orações que lhe eram devidos por leis.
Frei Boaventura de Aldeno
* Aldeno (Itália), 15.10.1870 + Santos-SP, 19.08.1942
Frei Boaventura de Aldeno (Guilherme Cont), filho de José e Amábile Lorandi Cont, nasceu aos 15 de outubro de 1870. Vestiu o hábito com quase dezessete anos, aos 13 de setembro de 1887. Professou solenemente aos 21 de novembro de 1891. Ordenado sacerdote aos 8 de julho de 1894, já em 1897, aos 6 de maio, embarcava em Gênova, para o Brasil. Chegou a São Paulo no dia 2 de junho; dia 4 está em Piracicaba. Ali foi diretor do antigo Coleginho e da Ordem Terceira Franciscana recém-fundada por Frei Luís de São Tiago.Frei Boaventura pode ser de fato chamado o missionário perambulante, especialmente quando ainda mais jovem. Difícil criar raízes em algum lugar. Apreciava pregar nos mais diversos locais, conforme vemos por todo o seu Diário de missas. Parecia imbuído de grande espírito de aventuras. Boas aventuras...Dia 12 de julho, pouco mais de um mês de Brasil, já está em Rio Claro e depois na Fazenda Dourado, onde permanece por várias semanas, atingindo outros sítios e fazendas. Dia 19 está em Taubaté e depois em Quiririm, Quilombo, Caçapava...Estimulado por Frei Bernardino de Lavalle, com Frei Daniel de Santa Maria, Frei Paulo de Sorocaba e o Padre Francisco Savelli, aos 4 de maio de 1903 parte para as Missões em Campos Novos do Paranapanema, onde fundam a famosa Catequese dos índios aos 4 de junho. Fazem várias incursões em busca dos mesmos, mas não conseguem um contacto satisfatório com a tribo dos Coroados. Ali Frei Boaventura permanece até novembro de 1906. Com seus irmãos atendia apostolicamente Platina, São Pedro do Turvo, Café, Assis, São Bartolemeu, Bastos. No ano de 1905 a Comissão Geográfica e Geológica do Estado iniciou o reconhecimento oficial de toda a região Oeste e a 3 de novembro Frei Boaventura celebra a Primeira Missa para a expedição, no vale do Rio do Peixe.Deixando Campos Novos, conforme anota em seu Diário, a 9 de outubro de 1906 partia de São Paulo para São José do Rio Preto à procura de um local onde os frades pudessem erigir casa próxima aos Índios. Atravessando o Tietê, foi dar no Lageado – Patrimônio do Bom Jesus – onde teve início a povoação da atual Penápolis. Havia uma antiga capela no local e um cemitério, visitados de quando em quando pelo vigário de Rio Preto. Nos dias 27, 28 e 30 de novembro de 1906 Frei Boaventura já celebra missas nessas terras de Avanhandava, após ter pregado umas missões em Rio Preto (15 dias) e visitado Jataí, Santa Bárbara, Bom Sucesso, Virador, Macaúbas, São Jerônimo, Salto. No dia 29 de novembro celebrou em Castilho. De volta para São Paulo, passa por Fartura, Rio Preto, Jaboticabal, Pontal, São Carlos, Jundiaí, chegando na Capital a 16 de dezembro...Após uma viagem à Província, de 12 de maio a 24 de novembro de 1907, ei-lo novamente em longas peregrinações sertanejas. Aos 29 de junho de 1908 esta novamente no Lageado e em terras de “Maria Chica”, após uma passada rápida por Bauru, Miguel Calmon (Avanhandava), São Jerônimo. De 6 a 16 de julho desse mesmo ano, em companhia de Frei José de Cassana, passa por Guariba, Salto das Cruzes, Canal do Inferno, Mansão do Bacuri, Ilha Seca e, finalmente o Itapura. Nos dias 17 e 18 estão em plena mata virgem, pois ao atravessarem o Tietê foram lançados fora do barco e após 3 horas de lutas contra a correnteza, conseguem salvar-se. Passam 3 dias em Miguel Calmon e no dia 23 estavam em São Paulo.Em outubro estão de volta para a Noroeste. Dia 25, Frei Bernardino celebrava a primeira missa para a fundação da futura Penápolis. Com Frei José e Sigismundo de Canazei, Frei Boaventura ali permanece, residindo numa casa de tábuas (ainda existente) e que foi primeira igreja, primeira residência dos frades e primeira escola na Noroeste. Era o inicio de Penápolis. Aos 5 de junho de 1910 foi inaugurada nova casa junto à atual Igreja-Santuário daquela cidade.Em 1908 e 1909 os frades já atendiam zelosamente Avanhandava, Fazenda Monteiro, Presidente Alves, Jacutinga (Avaí), Pirajuí, Corredeira, Lageado, Bacuri, Congonhas (A. Lins). Em 1910, Albuquerque Lins, Salto, Glicério, Itapura ,Três Irmãos, Anhangaí, Gouveia, Serradão, Fartura, H. Legru (Promissão); em 1911 e 1912: Castilhos, Macaúbas, São Jerônimo, Lagoa, Aracanguá, Mata. Aos 23 de abril de 1911 Frei Boaventura atendia Três Lagoas (MS). E não eram apenas passagens rápidas para casamentos e batizados, mas os missionários iniciavam a pregação e evangelização desses núcleos, fundando também os centros catequéticos.No dia lº de janeiro de 1912, Frei Boaventura parte, com Frei Sigismundo, para Jupiá, à foz do Taquarussu, onde chegam a 9 do mesmo mês. Ali e na foz do Rio Verde, a Oeste do Estado, foi instalada a Missão para os índios Coroados e Xavantes. Frei Boaventura lá permanece até 16 de maio e dali transfere-se para São Paulo. Em 1913 está em Taubaté onde reside até por volta de 1919, prosseguindo em missões itinerantes. Em 1920 exerce o cargo de Diretor do Colégio Seráfico. Talvez, só para experimentar... No ano seguinte vai para a paróquia de Bom Jesus dos Perdões percorrendo as capelas rurais e urbanas. Em junho de 1922 está em Santos onde foi encarregado ou supervisor da construção da igreja de São Antônio do Embaré. Ali o encontramos ainda em 1931 e em 1939.Como percebemos, a vida de Frei Boaventura está demais ligada a missões. De suas peregrinações emerge uma personalidade altiva, empreendedora, aventureira. Não se sujeitava a injunções com as quais não concordasse. Já nos inícios de Penápolis, teve suas graves diferenças com o Coronel Manoel Bento da Cruz, não apoiando seu partido nem se prendendo por eventuais favores, o que lhe valeu e aos frades, forte oposição do partido de situação e do filho do Coronel que comanda um tiroteio, discursos e demonstrações contra os frades e sua residência aos 23 de setembro de 1913. Visitando, muito mais tarde, os doentes num hospital da baixada Santista, Frei Boaventura foi encontrar seu coronel desafeto já próximo a morte. Ambos se reconheceram e certamente se perdoaram mutuamente.Uma das facetas de seu caráter se demonstrou quando, encontrando-se com um dos estudantes-frades, afirmou que um fio de sua barba valia mais que o jovem estudante. Brincadeira? Super-auto-estima?...Frei Boaventura, salvas normais fraquezas humanas, nos deixa o grande exemplo de dedicação ao apostolado e à pregação da Palavra de Deus. Disso terá recebido rica recompensa, pois sempre esteve preso à causa da evangelização, oportuna e inoportunamente.Veio a falecer em Santos, a 19 de agosto de 1942; não tendo comparecido para a missa costumeira das 6 horas, foram chamá-lo, mas já havia sido chamado para a Eternidade. Durante a efervescência da Guerra, os anticlericais fizeram correr a notícia de que Frei Boaventura fora assassinado pelos frades estrangeiros, por gostar do Brasil... e até houve boatos de que não estava morto quando foi sepultado... Quanto à primeira notícia, totalmente absurda; quanto à segunda, nada sabemos; só Deus sabe... (Cf. REB, II, 1083
Frei Sigismundo de Canazei
* Canazei (Itália), 09.04.1874 + Rovereto (Itália), 20.01.1961
Frei Sigismundo de Canazei (Ricardo Valentini) nasceu a 9 de abril de 1874. Era filho de João Batísta Valentini e Isabel Costa. Vestiu o hábito aos 13 de setembro de 1889; profissão solene aos 29 de abril de 1895; ordenado sacerdote a 16 de agosto de 1896.Em 1907 veio para o Brasil, chegando a São Paulo a 17 de dezembro. Em 1908 já estava com Frei Boaventura de Aldeno e Frei José de Cassana em Santa Cruz do Avanhandava, atual Penápolis, quando de sua fundação a 25 de outubro desse ano. Com os demais, percorria toda a região Noroeste pregando as missões e catequizando o povo e as comunidades primitivas. Locais e povoados das atuais dioceses de Rio Preto, Lins, Bauru, Marília, Três Lagoas, eram visitados e percorridos pelos frades.Dia 4 de setembro de 1911 Frei Sigismundo fazia sua primeira excursão apostólica por Aracanguá, Mata, Macaúbas, Palmeiras, Capitão Vicente, Santa Bárbara, São Jerônimo, Lagoa, Bela Vista do Chico Pereira, Salto e outros núcleos, permanecendo por cerca de um mês nesse apostolado que depois é prosseguido religiosamente por seus coirmãos.No dia 4 de janeiro de 1912 parte, com Frei Boaventura, de Penápolis, para a Missão entre os Xavantes, no Mato Grosso, foz do Taquarussu. A missão foi transferida, posteriormente, para a embocadura do Ribeirão das Marrecas, em nosso Estado, próximo à atual cidade de Panorama. Frei Sigismundo ali ficou até 1915 quando vai novamente para Penápolis. Em 1918 foi nomeado primeiro capelão residente em Birigüi, onde, a 21 de novembro de 1915 Frei Ricardo de Denno celebrara primeira Missa. Frei Sigismundo ali trabalha, e muito, de agosto de 1918 a 2 de julho de 1919...A 3 de maio de 1920 retorna à pátria onde foi por muitos anos professor de latim no “Liceu” de Rovereto e depois superior em Primiero. Faleceu aos 20 de janeiro de 1961. Segundo “Anais Franciscanos”, com ele tombou “um dos nossos pioneiros da evangelização dos habitantes de nossas selvas” (Fevereiro 1961, p. 90). Segundo o Necrológio de Trento, foi “vero francescano e uomo di Dio”... Seus 13 anos de Missão foram fecundos e marcantes para nossa Província.
Frei Boaventura de Aldeno (Guilherme Cont), filho de José e Amábile Lorandi Cont, nasceu aos 15 de outubro de 1870. Vestiu o hábito com quase dezessete anos, aos 13 de setembro de 1887. Professou solenemente aos 21 de novembro de 1891. Ordenado sacerdote aos 8 de julho de 1894, já em 1897, aos 6 de maio, embarcava em Gênova, para o Brasil. Chegou a São Paulo no dia 2 de junho; dia 4 está em Piracicaba. Ali foi diretor do antigo Coleginho e da Ordem Terceira Franciscana recém-fundada por Frei Luís de São Tiago.Frei Boaventura pode ser de fato chamado o missionário perambulante, especialmente quando ainda mais jovem. Difícil criar raízes em algum lugar. Apreciava pregar nos mais diversos locais, conforme vemos por todo o seu Diário de missas. Parecia imbuído de grande espírito de aventuras. Boas aventuras...Dia 12 de julho, pouco mais de um mês de Brasil, já está em Rio Claro e depois na Fazenda Dourado, onde permanece por várias semanas, atingindo outros sítios e fazendas. Dia 19 está em Taubaté e depois em Quiririm, Quilombo, Caçapava...Estimulado por Frei Bernardino de Lavalle, com Frei Daniel de Santa Maria, Frei Paulo de Sorocaba e o Padre Francisco Savelli, aos 4 de maio de 1903 parte para as Missões em Campos Novos do Paranapanema, onde fundam a famosa Catequese dos índios aos 4 de junho. Fazem várias incursões em busca dos mesmos, mas não conseguem um contacto satisfatório com a tribo dos Coroados. Ali Frei Boaventura permanece até novembro de 1906. Com seus irmãos atendia apostolicamente Platina, São Pedro do Turvo, Café, Assis, São Bartolemeu, Bastos. No ano de 1905 a Comissão Geográfica e Geológica do Estado iniciou o reconhecimento oficial de toda a região Oeste e a 3 de novembro Frei Boaventura celebra a Primeira Missa para a expedição, no vale do Rio do Peixe.Deixando Campos Novos, conforme anota em seu Diário, a 9 de outubro de 1906 partia de São Paulo para São José do Rio Preto à procura de um local onde os frades pudessem erigir casa próxima aos Índios. Atravessando o Tietê, foi dar no Lageado – Patrimônio do Bom Jesus – onde teve início a povoação da atual Penápolis. Havia uma antiga capela no local e um cemitério, visitados de quando em quando pelo vigário de Rio Preto. Nos dias 27, 28 e 30 de novembro de 1906 Frei Boaventura já celebra missas nessas terras de Avanhandava, após ter pregado umas missões em Rio Preto (15 dias) e visitado Jataí, Santa Bárbara, Bom Sucesso, Virador, Macaúbas, São Jerônimo, Salto. No dia 29 de novembro celebrou em Castilho. De volta para São Paulo, passa por Fartura, Rio Preto, Jaboticabal, Pontal, São Carlos, Jundiaí, chegando na Capital a 16 de dezembro...Após uma viagem à Província, de 12 de maio a 24 de novembro de 1907, ei-lo novamente em longas peregrinações sertanejas. Aos 29 de junho de 1908 esta novamente no Lageado e em terras de “Maria Chica”, após uma passada rápida por Bauru, Miguel Calmon (Avanhandava), São Jerônimo. De 6 a 16 de julho desse mesmo ano, em companhia de Frei José de Cassana, passa por Guariba, Salto das Cruzes, Canal do Inferno, Mansão do Bacuri, Ilha Seca e, finalmente o Itapura. Nos dias 17 e 18 estão em plena mata virgem, pois ao atravessarem o Tietê foram lançados fora do barco e após 3 horas de lutas contra a correnteza, conseguem salvar-se. Passam 3 dias em Miguel Calmon e no dia 23 estavam em São Paulo.Em outubro estão de volta para a Noroeste. Dia 25, Frei Bernardino celebrava a primeira missa para a fundação da futura Penápolis. Com Frei José e Sigismundo de Canazei, Frei Boaventura ali permanece, residindo numa casa de tábuas (ainda existente) e que foi primeira igreja, primeira residência dos frades e primeira escola na Noroeste. Era o inicio de Penápolis. Aos 5 de junho de 1910 foi inaugurada nova casa junto à atual Igreja-Santuário daquela cidade.Em 1908 e 1909 os frades já atendiam zelosamente Avanhandava, Fazenda Monteiro, Presidente Alves, Jacutinga (Avaí), Pirajuí, Corredeira, Lageado, Bacuri, Congonhas (A. Lins). Em 1910, Albuquerque Lins, Salto, Glicério, Itapura ,Três Irmãos, Anhangaí, Gouveia, Serradão, Fartura, H. Legru (Promissão); em 1911 e 1912: Castilhos, Macaúbas, São Jerônimo, Lagoa, Aracanguá, Mata. Aos 23 de abril de 1911 Frei Boaventura atendia Três Lagoas (MS). E não eram apenas passagens rápidas para casamentos e batizados, mas os missionários iniciavam a pregação e evangelização desses núcleos, fundando também os centros catequéticos.No dia lº de janeiro de 1912, Frei Boaventura parte, com Frei Sigismundo, para Jupiá, à foz do Taquarussu, onde chegam a 9 do mesmo mês. Ali e na foz do Rio Verde, a Oeste do Estado, foi instalada a Missão para os índios Coroados e Xavantes. Frei Boaventura lá permanece até 16 de maio e dali transfere-se para São Paulo. Em 1913 está em Taubaté onde reside até por volta de 1919, prosseguindo em missões itinerantes. Em 1920 exerce o cargo de Diretor do Colégio Seráfico. Talvez, só para experimentar... No ano seguinte vai para a paróquia de Bom Jesus dos Perdões percorrendo as capelas rurais e urbanas. Em junho de 1922 está em Santos onde foi encarregado ou supervisor da construção da igreja de São Antônio do Embaré. Ali o encontramos ainda em 1931 e em 1939.Como percebemos, a vida de Frei Boaventura está demais ligada a missões. De suas peregrinações emerge uma personalidade altiva, empreendedora, aventureira. Não se sujeitava a injunções com as quais não concordasse. Já nos inícios de Penápolis, teve suas graves diferenças com o Coronel Manoel Bento da Cruz, não apoiando seu partido nem se prendendo por eventuais favores, o que lhe valeu e aos frades, forte oposição do partido de situação e do filho do Coronel que comanda um tiroteio, discursos e demonstrações contra os frades e sua residência aos 23 de setembro de 1913. Visitando, muito mais tarde, os doentes num hospital da baixada Santista, Frei Boaventura foi encontrar seu coronel desafeto já próximo a morte. Ambos se reconheceram e certamente se perdoaram mutuamente.Uma das facetas de seu caráter se demonstrou quando, encontrando-se com um dos estudantes-frades, afirmou que um fio de sua barba valia mais que o jovem estudante. Brincadeira? Super-auto-estima?...Frei Boaventura, salvas normais fraquezas humanas, nos deixa o grande exemplo de dedicação ao apostolado e à pregação da Palavra de Deus. Disso terá recebido rica recompensa, pois sempre esteve preso à causa da evangelização, oportuna e inoportunamente.Veio a falecer em Santos, a 19 de agosto de 1942; não tendo comparecido para a missa costumeira das 6 horas, foram chamá-lo, mas já havia sido chamado para a Eternidade. Durante a efervescência da Guerra, os anticlericais fizeram correr a notícia de que Frei Boaventura fora assassinado pelos frades estrangeiros, por gostar do Brasil... e até houve boatos de que não estava morto quando foi sepultado... Quanto à primeira notícia, totalmente absurda; quanto à segunda, nada sabemos; só Deus sabe... (Cf. REB, II, 1083
Frei Sigismundo de Canazei
* Canazei (Itália), 09.04.1874 + Rovereto (Itália), 20.01.1961
Frei Sigismundo de Canazei (Ricardo Valentini) nasceu a 9 de abril de 1874. Era filho de João Batísta Valentini e Isabel Costa. Vestiu o hábito aos 13 de setembro de 1889; profissão solene aos 29 de abril de 1895; ordenado sacerdote a 16 de agosto de 1896.Em 1907 veio para o Brasil, chegando a São Paulo a 17 de dezembro. Em 1908 já estava com Frei Boaventura de Aldeno e Frei José de Cassana em Santa Cruz do Avanhandava, atual Penápolis, quando de sua fundação a 25 de outubro desse ano. Com os demais, percorria toda a região Noroeste pregando as missões e catequizando o povo e as comunidades primitivas. Locais e povoados das atuais dioceses de Rio Preto, Lins, Bauru, Marília, Três Lagoas, eram visitados e percorridos pelos frades.Dia 4 de setembro de 1911 Frei Sigismundo fazia sua primeira excursão apostólica por Aracanguá, Mata, Macaúbas, Palmeiras, Capitão Vicente, Santa Bárbara, São Jerônimo, Lagoa, Bela Vista do Chico Pereira, Salto e outros núcleos, permanecendo por cerca de um mês nesse apostolado que depois é prosseguido religiosamente por seus coirmãos.No dia 4 de janeiro de 1912 parte, com Frei Boaventura, de Penápolis, para a Missão entre os Xavantes, no Mato Grosso, foz do Taquarussu. A missão foi transferida, posteriormente, para a embocadura do Ribeirão das Marrecas, em nosso Estado, próximo à atual cidade de Panorama. Frei Sigismundo ali ficou até 1915 quando vai novamente para Penápolis. Em 1918 foi nomeado primeiro capelão residente em Birigüi, onde, a 21 de novembro de 1915 Frei Ricardo de Denno celebrara primeira Missa. Frei Sigismundo ali trabalha, e muito, de agosto de 1918 a 2 de julho de 1919...A 3 de maio de 1920 retorna à pátria onde foi por muitos anos professor de latim no “Liceu” de Rovereto e depois superior em Primiero. Faleceu aos 20 de janeiro de 1961. Segundo “Anais Franciscanos”, com ele tombou “um dos nossos pioneiros da evangelização dos habitantes de nossas selvas” (Fevereiro 1961, p. 90). Segundo o Necrológio de Trento, foi “vero francescano e uomo di Dio”... Seus 13 anos de Missão foram fecundos e marcantes para nossa Província.
Frei Modesto de Taubaté -
* Taubaté-SP, 03.10.1884 + São Paulo-SP, 11.07.1960
Frei Modesto de Taubaté (Francisco Miguel Gonçalves de Rezende), filho de Paulino José Gonçalves e de Cecília Maria de Rezende, nasceu aos 3 de outubro de 1884. Foi batiza do no dia 15, pelo Padre Antônio do Nascimento Castro. Crismado a 7 de abril de 1897 por Dom José Pereira da Silva Barros, no palácio episcopal. Primeira comunhão no convento Santa Clara, aos 16 de julho de 1893.
Fez seus estudos ginasiais no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, de 1897 a 1900. Não freqüentou o Colégio Seráfico mais que uma semana. E salientava isso, não sabemos porque...
Vestiu o hábito em Piracicaba aos 13 de junho de 1900, tendo como Mestre Frei Félix de Lavalle, fundador da Missão. Votos solenes na mesma cidade, aos 21 de junho de 1904, perante Frei Bernardino de Lavalle, comissário provincial. Estudos filosóficos em Piracicaba, de 1901 a 1903. Teologia também nessa cidade (1904 e 1905) e em São Paulo (1906 e 1907). Recebeu a Ordem do Diaconato na antiga Sé paulistana a 13 de janeiro de 1907, das mãos de Dom José Marcondes Homem de Mello. Na mesma Sé foi ordenado sacerdote por Dom Duarte Leopoldo e Silva, a 16 de junho de 1907; foram as últimas ordenações na antiga Catedral. Concluiu os estudos no fim do ano de 1907.
No ano seguinte já lecionava Latim, Dogmática, Eloqüência Sagrada para seus colegas clérigos. Em 1909 foi residir em Piracicaba. Já em abril foi residir em Botucatu, para acompanhar o bispo diocesano Dom Lúcio Antunes de Souza em suas visitas pastorais e praticamente inaugurando aquela nova residência dos frades. Depois, residiu em São Paulo por certo tempo. Aos 27 de julho de 1911 está novamente em Botucatu onde exerce ofício de guardião até 1914, e acumulando o ofício de Secretário do Bispado, Consultor diocesano (1911 a 1916), Cura da Catedral (por um ano). Foi também Procurador da Mitra, por dois anos, e Governador do Bispado, por seis meses.
Como superior em Botucatu, deu início à igreja Na. Sra. de Lourdes. Aos 30 de julho de 1914 vai para as Missões às margens do Ribeirão das Marrecas, próximo aos Xavantes e Coroados. De junho a dezembro de 1920 foi visitador na Diocese de Botucatu, sendo oficialmente nomeado para tal cargo em maio de 1923, com honras de Monsenhor. Consultado pelo Núncio Apostólico, fez as demarcações das dioceses de Sorocaba, Cafelândia e Assis e prestou valiosas informações sobre a diocese de Santos (4 de julho de 1924), conhecedor que era dessas regiões pelas suas andanças em visita com Dom Lúcio.
Paroquiou as freguesias de Bofete, Embú (onde construíu casa paroquial), Praínha, Juquiá, Catedral de Botucatu, Vila Rezende de Piracicaba (onde renovou e reanimou a juventude católica e a catequese paroquial em 1919, ao substituir o vigário). Foi cura da Catedral de Lorena( 1915) e vigário geral em Taubaté (1941), cargos que exerceu por nomeação especial.
Muito bem informado sobre a diocese de Botucatu e seus problemas, em junho de 1938 atendeu um emissário do Papa, o Arquiabade de Treves, o qual estava a colher informações sigilosas.
Foi redator da Revista “Anais Franciscanos” (1915-1916; -1930-1931) e diretor do Externato de Piracicaba (1924-1926). Como delegado provincial da O.F.S. visitou as fraternidades de Taubaté, Caçapava, Itapetininga, Avaré, Botucatu, Barretos, Araraquara, Atibaia, Jundiaí, Franca, Palmeiras, Campinas.
Com Dom Lúcio e comitiva, visitou a extensíssima diocese de Botucatu por várias vezes; visitou-a também sozinho, em nome do bispo, ressaltando-se que Botucatu abrangia, de início, também a atual diocese de Santos, além das atuais dioceses de Lins, Assis, Bauru, e outras. Frei Modesto registra uma intensa e extensa visita feita com Dom Lúcio, de 24 de abril de 1909 a lº de maio de 1910. De trem, a cavalo ou em troles visitaram 66 freguesias e paróquias (providas ou não de vigário). Deixou interessante relato das peripécias dessas viagens, descrevendo a situação geral de cada localidade visitada, como também de seus bons ou maus pastores.
Consignamos aqui algumas das Missões pregadas por Frei Modesto e seus companheiros:
Aos 16 de abril de 1921 dá início a grandes missões em Santa Bárbara, Americana, Ressaca, Monte-Mór, Valinhos, Rebouças, Rocinha. Teve como companheiro Frei Liberato de Gries e chegaram a Santa Bárbara após várias horas de trole.
Em 1920 missionara por cerca de 20 dias as capelas e o Centro de Ribeirão Preto, com Frei Afonso de Condino. Em 1922, grandes missões no litoral paulista, com Frei Tiago de Cavêdine. Partem de São Paulo dia 26 de junho, e após uma parada em Santos missionam Juquiá, Xiririca, Porto Cabral, Capinzal, Araquara, Pinduva, Costão do Ribeira, Juréia, Rio Verde, Barra do Icaparra, Iguape. Ao todo, um mês e meio, pregando e atendendo o povo. Quatro mil confissões, 156 casamentos legitimados ou realizados. Somente os dois poderiam contar o quanto sofreram nessas missões, entre doenças e mil privações...
De 24 de julho a 19 de setembro de 1923, com Frei Vito, novamente missiona o litoral, em visita pastoral: Iguape, Eldorado Paulista, Itaúna, Iporanga, Apiaí, Itapeva. Sobre tudo o que realizou prestou minuciosas contas ao Bispo amigo Dom Lúcio, o qual veio a falecer a 19 de outubro desse ano.
Em 1926, Santos tem seu bispo: Dom José M. Parreiras. Sabedor da grande atividade missionária dos capuchinhos pede que Frei Modesto e Frei Lourenço missionem novamente a diocese. Partem para São Vicente aos 24 de abril desse ano, percorrendo São Vicente, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Alecrim, Praínha, Juquiá, Ariri, Cananéia, Iguape, Santo Agostinho, Registro, Sete Barras, Eldorado, até 20 de setembro... Igualmente aqui, somente os dois missionários poderiam relatar os sacrifícios feitos nessa longa peregrinação por terra e mar, a pé, em canoa, em trole... sãos e doentes...
No ano seguinte, 1927, Frei Modesto missiona São João da Boa Vista, Barro Preto, Alfenas, Gimirim, Barra, Paço Fundo, Quatis, Areia, Conceição Aparecida, Lambari, Carvalho, Fama, localidades de Minas e de São Paulo. Isso, de 10 de abril a 27 de junho.
Mas, as visitas pastorais de Frei Modesto não se reduzem a São Paulo. Visitou toda a diocese de Guaxupé, por vezes acompanhando o bispo, ou em nome dele. Nove bispos tiveram o auxílio de Frei Modesto em suas visitas.
Era apreciado pregador, catequista, músico, poeta, historiador. Compôs mais de 50 peças musicais a uma, duas ou três vozes. Escreveu livros de piedade. Amou a Ordem. Contou-lhe as glórias de quatro séculos, escrevendo, de parceria com Frei Fidélis, OS MISSIONÁRIOS CAPUCHINHOS NO BRASIL e CAPUCHINHOS EM TERRA DE SANTA CRUZ. Sobre seu apostolado predileto, escreveu: COMO PREGAREMOS AS MISSÕES (1937) e NA ESCOLA DAS MISSÕES (1955), onde conta as mais interessantes experiências nesse apostolado popular. Colaborou também com artigos em revistas e jornais.
Seu “Diário de Missas” é um contínuo desfile de nomes de cidades em que pregou missões, novenas, tríduos, retiros, para as mais diversas classes de pessoas: religiosos, seminaristas, padres, associações, colégios etc. Apenas para um visual, damos aqui algumas anotações de seu Diário, e nas quais percebemos por quantos locais transitava no mesmo mês:
1928: - Julho: Pouso Alegre, Alfenas, Fama, Conceição Aparecida, Barro Preto, Santa Rita do Sapucaí, Campinas, São Paulo, Caxambu...
Em Setembro: - Passos, Alpinópolis, Carmo do Rio Claro, Conceição Aparecida, Campinas, Itapira, Jacutinga, Esp. Santo Pinhal, Atibaia.
1929: Outubro: - São Paulo, Barretos, Botucatu, Taubaté, Aparecida, Carmo do Rio Claro, Monte Belo, Colônia Mineira (Paraná): três Estados...
1933: Agosto: - Poloni, Colombo, M. Aprazível, Macaúbas, Montedouro, Sebastianópolis, Nhandeara, Castilhos, Araçatuba, Penápolis...
Esses poucos exemplos de cidades percorridas pelo missionário em um mês apenas, nos dão a idéia de seu Diário, todo um tecido de cidades visitadas, percorridas, levando sempre a Palavra Divina... Grande missionário!
Frei Modesto tinha o dom de conversar e relacionar-se com os irmãos protestantes. Nunca os atacou. Com eles fez muitas amizades e com eles gostava de trocar idéias. Conforme Frei Epifânio, que o conheceu bem, Frei Modesto tinha muita facilidade para pregar, voz clara e bonita. Muito comunicativo. Ressentia-se muito quando algo não lhe agradava e o dizia para quem quisesse ouvi-lo. E guardava ressentimento. Era moreno escuro, trigueiro. Tinha uma técnica especial para atrair as pessoas às Missões: ajuntava os meninos, ensinava-lhes cânticos e percorria a cidade cantando e avisando a hora do sermão... Sua missa era rápida, cerca de 20 minutos, pois como dizia, “no altar é para se rezar, não para se dormir”. Seu irmão Frei Ângelo era o oposto, pois sua missa era de 45 minutos, “pois no altar não se deve correr”...
Deixou interessantíssimos escritos sobre suas peregrinações apostólicas, com finas e argutas observações que nos dão uma idéia exata de lugares e pessoas da época. Está registrado em seu necrológio:
“Dono de invejável cultura lingüística, religiosa e humanística, suas pregações e conferências faziam sucesso e deixavam marca nas almas. Não contente de semear a palavra de Deus pela pregação, deixou várias obras escritas, num belo estilo e repletas de sabedoria. Foi professor de numerosas gerações de frades da Província de São Paulo, que ainda o veneravam como o “Padre Mestre”. E das qualidades artísticas de Frei Modesto, nem falemos. Quantas peças de música religiosa deixou espalhadas pelos seus caminhos de missionário, pelas casas religiosas; quantas poesias de puro quilate deixou escritas, espalhadas por aqui e ali. Mas Frei Modesto era muito despretensioso; suas produções não viram publicação e até se perderam, infelizmente”. (REB, setembro 1960, p. 845).
Frei Modesto faleceu repentinamente em São Paulo, aos 11 de julho de 1960, logo após ter rezado a santa Missa da manhã, na casa das Irmãs de Jesus Crucificado. Subia para o quarto quando foi atingido por um ataque fulminante. Na noite anterior o pregador fizera a abertura do retiro anual, considerando que aquele poderia ser o último retiro para qualquer um dos presentes. E o foi, para Frei Modesto.
Outros dados sobre missões de Frei Modesto podem ser consultados em seu Diário (um deles, que sobrou), e no livrinho que escrevemos: “Pastoral Missionária , – 1890-1980”.
(Cf. AOMC. 76, 271; R. V. - julho - 1960, p. 62; REB, setembro 1960, p. 845)
Fez seus estudos ginasiais no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, de 1897 a 1900. Não freqüentou o Colégio Seráfico mais que uma semana. E salientava isso, não sabemos porque...
Vestiu o hábito em Piracicaba aos 13 de junho de 1900, tendo como Mestre Frei Félix de Lavalle, fundador da Missão. Votos solenes na mesma cidade, aos 21 de junho de 1904, perante Frei Bernardino de Lavalle, comissário provincial. Estudos filosóficos em Piracicaba, de 1901 a 1903. Teologia também nessa cidade (1904 e 1905) e em São Paulo (1906 e 1907). Recebeu a Ordem do Diaconato na antiga Sé paulistana a 13 de janeiro de 1907, das mãos de Dom José Marcondes Homem de Mello. Na mesma Sé foi ordenado sacerdote por Dom Duarte Leopoldo e Silva, a 16 de junho de 1907; foram as últimas ordenações na antiga Catedral. Concluiu os estudos no fim do ano de 1907.
No ano seguinte já lecionava Latim, Dogmática, Eloqüência Sagrada para seus colegas clérigos. Em 1909 foi residir em Piracicaba. Já em abril foi residir em Botucatu, para acompanhar o bispo diocesano Dom Lúcio Antunes de Souza em suas visitas pastorais e praticamente inaugurando aquela nova residência dos frades. Depois, residiu em São Paulo por certo tempo. Aos 27 de julho de 1911 está novamente em Botucatu onde exerce ofício de guardião até 1914, e acumulando o ofício de Secretário do Bispado, Consultor diocesano (1911 a 1916), Cura da Catedral (por um ano). Foi também Procurador da Mitra, por dois anos, e Governador do Bispado, por seis meses.
Como superior em Botucatu, deu início à igreja Na. Sra. de Lourdes. Aos 30 de julho de 1914 vai para as Missões às margens do Ribeirão das Marrecas, próximo aos Xavantes e Coroados. De junho a dezembro de 1920 foi visitador na Diocese de Botucatu, sendo oficialmente nomeado para tal cargo em maio de 1923, com honras de Monsenhor. Consultado pelo Núncio Apostólico, fez as demarcações das dioceses de Sorocaba, Cafelândia e Assis e prestou valiosas informações sobre a diocese de Santos (4 de julho de 1924), conhecedor que era dessas regiões pelas suas andanças em visita com Dom Lúcio.
Paroquiou as freguesias de Bofete, Embú (onde construíu casa paroquial), Praínha, Juquiá, Catedral de Botucatu, Vila Rezende de Piracicaba (onde renovou e reanimou a juventude católica e a catequese paroquial em 1919, ao substituir o vigário). Foi cura da Catedral de Lorena( 1915) e vigário geral em Taubaté (1941), cargos que exerceu por nomeação especial.
Muito bem informado sobre a diocese de Botucatu e seus problemas, em junho de 1938 atendeu um emissário do Papa, o Arquiabade de Treves, o qual estava a colher informações sigilosas.
Foi redator da Revista “Anais Franciscanos” (1915-1916; -1930-1931) e diretor do Externato de Piracicaba (1924-1926). Como delegado provincial da O.F.S. visitou as fraternidades de Taubaté, Caçapava, Itapetininga, Avaré, Botucatu, Barretos, Araraquara, Atibaia, Jundiaí, Franca, Palmeiras, Campinas.
Com Dom Lúcio e comitiva, visitou a extensíssima diocese de Botucatu por várias vezes; visitou-a também sozinho, em nome do bispo, ressaltando-se que Botucatu abrangia, de início, também a atual diocese de Santos, além das atuais dioceses de Lins, Assis, Bauru, e outras. Frei Modesto registra uma intensa e extensa visita feita com Dom Lúcio, de 24 de abril de 1909 a lº de maio de 1910. De trem, a cavalo ou em troles visitaram 66 freguesias e paróquias (providas ou não de vigário). Deixou interessante relato das peripécias dessas viagens, descrevendo a situação geral de cada localidade visitada, como também de seus bons ou maus pastores.
Consignamos aqui algumas das Missões pregadas por Frei Modesto e seus companheiros:
Aos 16 de abril de 1921 dá início a grandes missões em Santa Bárbara, Americana, Ressaca, Monte-Mór, Valinhos, Rebouças, Rocinha. Teve como companheiro Frei Liberato de Gries e chegaram a Santa Bárbara após várias horas de trole.
Em 1920 missionara por cerca de 20 dias as capelas e o Centro de Ribeirão Preto, com Frei Afonso de Condino. Em 1922, grandes missões no litoral paulista, com Frei Tiago de Cavêdine. Partem de São Paulo dia 26 de junho, e após uma parada em Santos missionam Juquiá, Xiririca, Porto Cabral, Capinzal, Araquara, Pinduva, Costão do Ribeira, Juréia, Rio Verde, Barra do Icaparra, Iguape. Ao todo, um mês e meio, pregando e atendendo o povo. Quatro mil confissões, 156 casamentos legitimados ou realizados. Somente os dois poderiam contar o quanto sofreram nessas missões, entre doenças e mil privações...
De 24 de julho a 19 de setembro de 1923, com Frei Vito, novamente missiona o litoral, em visita pastoral: Iguape, Eldorado Paulista, Itaúna, Iporanga, Apiaí, Itapeva. Sobre tudo o que realizou prestou minuciosas contas ao Bispo amigo Dom Lúcio, o qual veio a falecer a 19 de outubro desse ano.
Em 1926, Santos tem seu bispo: Dom José M. Parreiras. Sabedor da grande atividade missionária dos capuchinhos pede que Frei Modesto e Frei Lourenço missionem novamente a diocese. Partem para São Vicente aos 24 de abril desse ano, percorrendo São Vicente, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Alecrim, Praínha, Juquiá, Ariri, Cananéia, Iguape, Santo Agostinho, Registro, Sete Barras, Eldorado, até 20 de setembro... Igualmente aqui, somente os dois missionários poderiam relatar os sacrifícios feitos nessa longa peregrinação por terra e mar, a pé, em canoa, em trole... sãos e doentes...
No ano seguinte, 1927, Frei Modesto missiona São João da Boa Vista, Barro Preto, Alfenas, Gimirim, Barra, Paço Fundo, Quatis, Areia, Conceição Aparecida, Lambari, Carvalho, Fama, localidades de Minas e de São Paulo. Isso, de 10 de abril a 27 de junho.
Mas, as visitas pastorais de Frei Modesto não se reduzem a São Paulo. Visitou toda a diocese de Guaxupé, por vezes acompanhando o bispo, ou em nome dele. Nove bispos tiveram o auxílio de Frei Modesto em suas visitas.
Era apreciado pregador, catequista, músico, poeta, historiador. Compôs mais de 50 peças musicais a uma, duas ou três vozes. Escreveu livros de piedade. Amou a Ordem. Contou-lhe as glórias de quatro séculos, escrevendo, de parceria com Frei Fidélis, OS MISSIONÁRIOS CAPUCHINHOS NO BRASIL e CAPUCHINHOS EM TERRA DE SANTA CRUZ. Sobre seu apostolado predileto, escreveu: COMO PREGAREMOS AS MISSÕES (1937) e NA ESCOLA DAS MISSÕES (1955), onde conta as mais interessantes experiências nesse apostolado popular. Colaborou também com artigos em revistas e jornais.
Seu “Diário de Missas” é um contínuo desfile de nomes de cidades em que pregou missões, novenas, tríduos, retiros, para as mais diversas classes de pessoas: religiosos, seminaristas, padres, associações, colégios etc. Apenas para um visual, damos aqui algumas anotações de seu Diário, e nas quais percebemos por quantos locais transitava no mesmo mês:
1928: - Julho: Pouso Alegre, Alfenas, Fama, Conceição Aparecida, Barro Preto, Santa Rita do Sapucaí, Campinas, São Paulo, Caxambu...
Em Setembro: - Passos, Alpinópolis, Carmo do Rio Claro, Conceição Aparecida, Campinas, Itapira, Jacutinga, Esp. Santo Pinhal, Atibaia.
1929: Outubro: - São Paulo, Barretos, Botucatu, Taubaté, Aparecida, Carmo do Rio Claro, Monte Belo, Colônia Mineira (Paraná): três Estados...
1933: Agosto: - Poloni, Colombo, M. Aprazível, Macaúbas, Montedouro, Sebastianópolis, Nhandeara, Castilhos, Araçatuba, Penápolis...
Esses poucos exemplos de cidades percorridas pelo missionário em um mês apenas, nos dão a idéia de seu Diário, todo um tecido de cidades visitadas, percorridas, levando sempre a Palavra Divina... Grande missionário!
Frei Modesto tinha o dom de conversar e relacionar-se com os irmãos protestantes. Nunca os atacou. Com eles fez muitas amizades e com eles gostava de trocar idéias. Conforme Frei Epifânio, que o conheceu bem, Frei Modesto tinha muita facilidade para pregar, voz clara e bonita. Muito comunicativo. Ressentia-se muito quando algo não lhe agradava e o dizia para quem quisesse ouvi-lo. E guardava ressentimento. Era moreno escuro, trigueiro. Tinha uma técnica especial para atrair as pessoas às Missões: ajuntava os meninos, ensinava-lhes cânticos e percorria a cidade cantando e avisando a hora do sermão... Sua missa era rápida, cerca de 20 minutos, pois como dizia, “no altar é para se rezar, não para se dormir”. Seu irmão Frei Ângelo era o oposto, pois sua missa era de 45 minutos, “pois no altar não se deve correr”...
Deixou interessantíssimos escritos sobre suas peregrinações apostólicas, com finas e argutas observações que nos dão uma idéia exata de lugares e pessoas da época. Está registrado em seu necrológio:
“Dono de invejável cultura lingüística, religiosa e humanística, suas pregações e conferências faziam sucesso e deixavam marca nas almas. Não contente de semear a palavra de Deus pela pregação, deixou várias obras escritas, num belo estilo e repletas de sabedoria. Foi professor de numerosas gerações de frades da Província de São Paulo, que ainda o veneravam como o “Padre Mestre”. E das qualidades artísticas de Frei Modesto, nem falemos. Quantas peças de música religiosa deixou espalhadas pelos seus caminhos de missionário, pelas casas religiosas; quantas poesias de puro quilate deixou escritas, espalhadas por aqui e ali. Mas Frei Modesto era muito despretensioso; suas produções não viram publicação e até se perderam, infelizmente”. (REB, setembro 1960, p. 845).
Frei Modesto faleceu repentinamente em São Paulo, aos 11 de julho de 1960, logo após ter rezado a santa Missa da manhã, na casa das Irmãs de Jesus Crucificado. Subia para o quarto quando foi atingido por um ataque fulminante. Na noite anterior o pregador fizera a abertura do retiro anual, considerando que aquele poderia ser o último retiro para qualquer um dos presentes. E o foi, para Frei Modesto.
Outros dados sobre missões de Frei Modesto podem ser consultados em seu Diário (um deles, que sobrou), e no livrinho que escrevemos: “Pastoral Missionária , – 1890-1980”.
(Cf. AOMC. 76, 271; R. V. - julho - 1960, p. 62; REB, setembro 1960, p. 845)
Fonte: PROCASP : www.procasp.or
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