sexta-feira, 16 de novembro de 2007

NO CORAÇÃO, NA MEMÓRIA E NA CERTEZA



Este relato é dedicado a todas as pessoas nele citadas, porque, direta ou indiretamente, foram elas que contribuíram para compor essas memórias. 

Lembramo-nos de maneira especial dos pioneiros que fundaram as bases desse lugar onde nascemos e também optamos para viver; aos que plantaram as sementes e formaram as nossas raízes, por meio das suas famílias, no trabalho diário, bem como na dedicação simples e desinteressada das ações humanitárias.

Cada família originou-se a partir de um núcleo gerador ou empreendedor, que em nosso caso foi o casal Guilherme e Manoela Borges, pioneiros mais antigos que acolheram nossos avós migrantes e imigrantes, proporcionando-lhes oportunidades em forma de trabalho, educação e convívio.

Todas essas pessoas deram uma parte significativa de suas vidas para que o Porto Tibiriçá e Presidente Epitácio fossem ninhos seguros e dignos, para traçar planos e realizar sonhos. Mesmo os que lá não permaneceram, desfrutando apenas poucos meses ou alguns anos dessa convivência, jamais esquecem os dias e as horas que ali passaram.

Aos nossos avós, pais, tios, primos, compadres, vizinhos, amigos, educadores, colegas e todos que, de uma forma ou de outra, fazem parte da nossa história e das nossas mais caras e ternas lembranças.

Os momentos de alegria, tristezas, desafios e provações, todos bem guardados na memória afetiva e espiritual dos que um dia beberam a água do rio Paraná, sentiram o vigor das matas próximas e também o cheiro de barro antes das chuvas março.

Jamais esqueceremos esses sinais e ritmos da natureza que nos acolheu. Até hoje eles nos remetem ao entardecer alaranjado dos dias quentes do verão, ao mistério das noites frescas e ventosas do outono com suas luas deslumbrantes. E as curiosas manhãs de serração? Impossível esquecer a friagem do orvalho na grama e também as noites frias, muitas das quais nos aquecemos alegremente nas fogueiras das festas juninas.

Sempre vêm nessas lembranças os latidos constantes dos cães nas madrugadas longas, o canto dos galos e dos pássaros nas alvoradas; a buzina da carroça do pão, o grito do leiteiro, o sino das escolas e da igreja; o primeiro e último apito do trem, das embarcações fluviais e também das serrarias.

Esse foi o nosso tempo, que correu veloz até que déssemos conta de que ele passou e que não havia mais nada a fazer senão recordar todas essas coisas que marcaram os dias que se foram.

Estou convicto de que o Porto Tibiriçá, Presidente Epitácio e São Vicente existem não somente na memória de quem lá viveu, mas também duplicado no plano etéreo do mundo astral ou quarta dimensão temporal. É para esse “lugar” que todos nós vamos, quase todas as noites de sono profundo, e no qual encontramos o nossos próprios e outros EUs, tal qual somos e nos manifestamos.

O que chamamos de sonhos não passam de incursões vivas da nossa mente, nas quais percorremos as veredas das nossas lembranças do que foi e expectativas do que virá. Muitas vezes esses sonhos são tão reais (e são mesmo) que temos a impressão de que não se trata apenas fantasias ou recalques e sim experiências autênticas nas quais nos comportamos, tal qual estivéssemos em vigília.

Quando muitas mentes e corações sonham e vibram num mesmo diapasão e sintonia, certamente se atraem e passam a compartilhar entre si todos esses “sentidos”. Por isso, não é de se estranhar que nesses sonhos encontremos amigos que já se foram para outras moradas, pessoas que estão fisicamente distantes e que também relatam as mesmas ocorrências, coincidências e impressões.

                                              

O autor

São Vicente, abril de 2013.

 

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