quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Antiga Rodoviária de Sampa

Terminal rodoviário da Luz nos anos 1970. A plataforma da Andorinha é a terceira escada de acesso.


A antiga Rodoviária de São Paulo sempre foi um lugar especial para quem deixou o interior para fazer a vida na Capital. Lugar de encontros e desencontros, alegrias e tristezas, surpresas e decepções. Era lugar de passagem para inúmeros lugares do Brasil e também de milhares passagens emitidas nos guichês nos quais as pessoas se inclinavam com muita expectativa para fazer aquelas perguntas comuns, porém carregadas de emoção:

- Tem passagem?

- A que hora chega o ônibus ?


Fins-de-semana, feriados, férias, período de festas de final de ano. Rodoviária cheia e milhares de pessoas estranhas num vai e vem de malas e bagagens de compras. Quem passava por ali sempre se perguntava: de onde vem e para onde vai tanta gente? Quem são todas essas pessoas cujos rostos desconhecidos não dizem nada sobre os meus amigos , vizinhos ou companheiros de trabalho?

Mas na plataforma de embarque da Andorinha ou da Motta essa sensação podia ser desfeita para os viajantes interioranos. Na medida que se aproximavam os horários de saída ou chegada dos ônibus apareciam também alguns rostos que não eram mais estranhos. Eram os que vinham trazer alguém que ia embarcar ou então esperar por alguém que estava chegando. Nesses instantes as fisionomias sérias mudavam com pequenos sorrisos, daqueles que surgem no rosto de quem reconhece alguém que não via há muito tempo. Troca de sorrisos, depois um aceno e, dependendo do grau de intimidade, uma conversa bem gostosa sobre tantas coisas. Tinha conversas que terminavam logo na porta do ônibus. Outras eram tão compridas que duravam toda a viagem de oito horas, entre São Paulo e o Porto Epitácio, a última cidade da rodovia Raposo Tavares. Era uma forma de matar o tempo e a saudade, de saber das últimas notícias e principalmente das pessoas.

Quem nunca passou pela antiga Rodoviária de Sampa, pelo Terminal do Tietê ou da Barra Funda?

Quem nunca encontrou alí um velho amigo ou um conhecido do interior ?

Quer sentar no corredor ou na janela?




0 comentários: