segunda-feira, 25 de julho de 2011

Folias Epitacianas nos Anos 70

Joãozinho Português, como Rei Momo, e sua bela Côrte no carnaval de rua


Foliões no salão da Associação Atlética Epitaciana

Somos da época em que carnaval de clube era coisa sagrada, quero dizer: quase sagrada...
Era diversão certa tanto para as crianças como para os adultos. Para os jovens solteiros, então, tudo isso que falamos pode ser triplicado por mil.

As matinês eram muito curtas e rápidas, como se fosse de propósito, para inocular em nossas mentes pequenas o desejo de nos tornar futuros foliões. Com dez ou onze anos a gente já começava a mostrar as manguinhas e ensaiar algumas horas nos bailes noturnos, acompanhados dos pais, até que surgisse um comissário de menores para sugerir a nossa retirada do salão. Isso acontecia geralmente na A. A. Epitaciana.

Não cheguei a freqüentar o carnaval em Tibiriçá, a não ser uma ou duas matinês, entre 1965 e 67. Dizem que era muito bom.

Em Epitácio a chegada do carnaval era sempre uma época especial. Depois de garantidos os ingressos e combinar o encontro com os colegas, era hora de comprar roupas leves da moda no Magazine Celes ou nas Casas Karazawa, um tênis ou sandalhinha na sapataria da Cida.

Aí, sim, partíamos para o clube e aguardávamos com muita ansiedade o toque de abertura – "Pará, pará, pará, pará, parararararará!!!!"

O mesmo rolava da Filarmônica. A frequência nos clubes eram mais uma era questão de gosto ou amizade.

As bandinhas de animação eram formadas por componentes de Epitácio ou então de alguma cidade próxima. Os músicos que me lembro mais eram: Miruca, Irineu, maestro Francisco de Assis, Brás, Zé Fininho, João, Chinha, Castilho, Matateo e o Hélio Baterista. As marchinhas eram as mesmas de sempre, com destaque para “Mamãe eu quero mamar”, “Jardineira”, Coração corintiano” e “Cabeleira do Zezé”.

Confete e serpentina aos quilos no salão, cerveja e refrigerante de garrafa (sodinha, guaraná antártica normal ou caçulinha) , tudo conservado em tambor de zinco, pedras de gelo e pó-de-serra. Fichas no Bar. Não tinha copo de plástico. Outras bebidas e acessórios , só para quem tinha mesas reservadas: whisky com gelo de água de coco, cuba libre, amendoim; sanduíches de patê ou presunto nos intervalos.

Lança-perfume já estava proibido. Era carnaval, mas o regime no País era ditadura militar. Algumas brigas, a turma do deixa pra lá, rivalidades políticas: “Disseram que a água lava tudo, a água só não lava as mágoas do meu coração”, cantava o Hermes Martins, lembrando uma certa disputa eleitoral que dividiu a cidade em 1972.

De resto era tudo uma maravilha: amigos reunidos em blocos uniformizados, cantando e pulando para tudo se acabar na quarta-feira. E tudo ia acabar mesmo numa grande canja de galinha no Finambar do seu Russo, depois Bar do Toco e Espanhol.


Bloco de jovens na Epitaciana



Bloco descansando durante o intervalo na Epitaciana

O mesmo bloco se apresentando na Sociedade Filarmônica 27 de Março


Fotos: Seminha e João Português

1 comentários:

Denise disse...

Que delícia! Pena que carnaval virou um comércio puro e simples hoje em dia, fora as baixarias.. Uma pena...
Bjs