sexta-feira, 16 de abril de 2021

CARTAS DE TIBIRIÇÁ


 

A tradutora brasileira Marta Lange, residente na Alemanha, nos eviou mensagem e o link deste blog, revelando a história dos seus avós, do namoro deles e das cartas que trocaram durante o noivado. O avô residia em Tibiriçá, como funcionário da Companhia Viação SP-MT, e a avó residia em São Paulo. As cartas serão publicadas gradualmente, nas mesmas datas em que foram escritas, porém, nesta primeira, já temos um ideia de como era o Porto Tibiriçá entre 1934 e 1935, no período pré-guerra com a presença de alemães na vila. Essse cenário mudaria radicalmente quando o Brasil se posicionou contra o Eixo Roma-Berlim-Tókio.

Marta Lange localizou o blog Epitácio na Memória por indicação do biólogo e professor da USP Miguel Trefaut Urbano Rodrigues, "um dos maiores herpetólogos dos últimos tempos! E amante da história do Brasil".






Desenho do Porto 15, 1935 feito por Richard Lange, contador da Companhia de Viação SP-MT, onde residiu entre 1934 a 1938.

Acervo: Martha Lange.

"Este sistema do poste com o tambor, era usado para avisar que havia chegado boiadas no porto XV e que as chatas boiadeiras partissem do Porto Tibiriçá para ir buscá-las". 

João Barbosa (comentário na página Epitácio na Memória, no Facebook)




ALEMÃES NO PORTO TIBIRIÇÁ

No período entre Guerras havia, como o próprio nome sugere, uma grande incerteza sobre o futuro da Europa e do mundo. Essa impressão, somada à crise econômica de 1929, despertou um forte interesse pela imigração em direção à América. O alvo principal era os EUA e o Canadá. Porém, a América do Sul também passou a ser alvo de interesse por causa do êxito de algumas colônias instaladas na região sul e também no interior de São Paulo. Investidores alemães conseguiram entrar no negócio de colonização no eixo São Paulo-Mato Grosso adquirindo o patrimônio da Companhia Diederichsen-Tibiriçá, que incluía terras nos dois estados, o Porto Tibiriçá, a Estrada Boiadeira e a Companhia Cima, em Indiana, que atuava como ponto de atração de negócios agrários, tendo como base a estação de Estrada de Ferro Sorocabana. Outras colonizadoras disputavam negócios na região: a do Coronel Martins (Martinópolis) e a do Coronel Marcondes (Presidente Prudente), conhecidos mandatários regionais. A concorrência na venda de terras e disputa pelo fluxo migratório era intensa e feita pessoalmente pelos dois interessados. Ambos disputavam as levas de colonos já quando desembarcavam em Santos ou na Estação da EFS, na Capital, cujo ramal atendia praticamente todas as localidades onde tinham negócios. A entrada dos alemães acirrou essa disputa, porém as terras próximas à divisa e também em Mato Grosso ainda eram consideradas um risco, por causa da distância e isolamento. Todas as colonizadoras produziam material de propaganda, geralmente anúncios em jornais de grande circulação, folhetos e pequenas revistas com texto discorrendo as qualidade e vantagens estruturais e facilidades dos seus loteamentos. Com exceção da CVSP-MT, todas as demais tiveram sucesso nos seus empreendimentos. O material fotográfico de Conrad Vopel que aqui publicamos anteriormente demonstra claramente sua intenção comercial de ilustrar as virtudes do patrimônio da companhia, agora sob direção alemã. Inicialmente essa marca era um chamariz para atrair alemães e outras etnias europeias. Porém, com o advento do nacional socialismo na Alemanha e sua forte inclinação para guerra, a CVSP-MT teria um destino completamente diferente, que foi a sua nacionalização pelo governo Vargas e o repasse de parte do seu patrimônio, por acordo diplomático, ao empresário Jan Antonin Bata, experiente industrial e colonizador tcheco. Praticamente todos os funcionários alemães que trabalhavam na companhia despareceram da região.



sexta-feira, 30 de outubro de 2020

sábado, 16 de junho de 2018

Tibiriçá, em 1938, por Konrad Voppel


A Vila de casas e o caminhão da Companhia de Viação SP-MG transportando moradores para Presidente Epitácio.




Tibiriçá e Epitácio em 1938 por Konrad Voppel


Em 1938 o fotógrafo alemão Konrad Voppel desembarcou no porto de Santos para registrar imagens do Brasil. Provavelmente estava a serviço do governo nazista, que na época possuía um exército internacional de espiões e observadores em todo o mundo. O dirigível Zeppelin também fazia parte desse grande projeto geopolítico de Hitler, de expansionismo. Tudo muito normal se lembarmos que outros países europeus e também os EUA tinham planos e meios estratégicos idênticos. Voppel passou por Santos, São Paulo e arredores da Capital e em seguida foi para o interior. Passou por P. Prudente, Santo Anastácio, Caiuá e P. Venceslau. Seus registros não eram apenas de paisagens turísticas e curiosidades exóticas. Eram registros de atividades econômicas, infra-estrutura e recursos naturais. Chamava especialmente a sua atenção os negócio das colônias estrangeiras: japonesas e alemãs. Nessa época Tibiriçá já era um vila e Epitácio ainda era apenas um arraial de barranca no rio Paraná.